Quem me pode dizer,
Em meio às dores do mundo,
O quanto o homem se perde
Por se lançar tão profundo
Aos amores que o vento
Por desmazelo levou,
Enfeitados com os cantos
Que a primavera tocou?
Se são os choros e versos
Arrancados do peito
De quem não se contenta
Com as glórias do leito,
Por que se disfarça,
Com tanta aflição,
O sonho que arde
Em meu coração?
Quem ama se doa,
Não usa, não troca,
E seu centro vital
Já não se coloca
Na busca egoísta
Do próprio prazer,
Mas no bem que ao outro
Se há de fazer.
E para ser feliz,
É preciso ir além
Da moda ferina
Que a muitos detém
Nas amarras do medo
De viver com fervor
A suave alegria
De morrer por amor.
Sobre Deus, verdade, amor, fé, vida e outras coisas nem sempre definíveis.
sábado, 16 de janeiro de 2010
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Deus é amor
A intencionalidade e o amor estão arraigados no ser. Trata-se de uma radicação ontológica da tendência, perceptível já pelo senso comum. E é como causa do ser que Deus é admitido pela inteligência. Ele é o fundamento do ser, a causa suprema de tudo o que existe. Assim, não há como desvincular Deus do amor, pois o ser supremo tem de ser o amor supremo. Não há ser sem amor, seja o amor natural dos entes inanimados e vegetativos, seja o amor emanado ou elícito dos animais, nos seus mais diversos níveis sensitivos e intelectivos, expressando o caráter onicompreensivo do princípio de finalidade (todo agente age em vista de um fim). A amor em Deus é absoluto, como o seu próprio ser. Aliás, como em Deus não há potencialidade, visto que ele é ato puro, seu ser e seu amor são uma só e mesma coisa. E toda causalidade em Deus acaba se identificando com a sua própria essência. Deus é amor em ato puro, sem mudança ou transição. A razão humana, desvendando as tramas do ser, consegue chegar a essa verdade basilar em nosso relacionamento com o transcendente. A religião opera sobre esse substrato acessível à razão e se vale de recursos característicos dos seres humanos em seu contato com o invisível, como o mito, a metáfora, o antropomorfismo. São recursos simbólicos, variáveis conforme a cultura dos povos. O discurso religioso tende ainda a completar o conteúdo fornecido pela abordagem exclusivamente filosófica. Aí entra o papel da fé e da teologia. O cristianismo, por exemplo, professa a verdade metafísica de que Deus é amor através do dogma da Santíssima Trindade: Deus é, desde sempre, intecâmbio de amor entre três pessoas distintas em uma só essêcia. É um dado apreendido somente pela fé, embora possa, na visão cristã, ser esclarecido com a mediação terminológico-analítica da filosofia. Tal exemplo nos mostra como a fé pode estar em continuidade com a razão. Esta aspira à certeza argumentativa, valendo-se da lógica e da evidência, preparando o caminho para a convicção de fé, que não é provada, mas apenas mais bem explicada pelos instrumentos de análise do pensamento metafísico.
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Quem sou eu
- Tarcísio Bráulio Gonçalves
- Sou cristão sem domicílio eclesiástico, sou herege de religião sem amor, sou ateu de deuses tiranos, sou poeta da alegria e da dor.