Quem me pode dizer,
Em meio às dores do mundo,
O quanto o homem se perde
Por se lançar tão profundo
Aos amores que o vento
Por desmazelo levou,
Enfeitados com os cantos
Que a primavera tocou?
Se são os choros e versos
Arrancados do peito
De quem não se contenta
Com as glórias do leito,
Por que se disfarça,
Com tanta aflição,
O sonho que arde
Em meu coração?
Quem ama se doa,
Não usa, não troca,
E seu centro vital
Já não se coloca
Na busca egoísta
Do próprio prazer,
Mas no bem que ao outro
Se há de fazer.
E para ser feliz,
É preciso ir além
Da moda ferina
Que a muitos detém
Nas amarras do medo
De viver com fervor
A suave alegria
De morrer por amor.
