quinta-feira, 29 de abril de 2010

O Deus em que creio

Aceito Deus como fundamento
do cosmos, da vida, do ser.
Ele existe, porque o mundo
e o homem no mundo
não se explicam por si sós.
Tudo em nós e ao nosso redor
reclama uma causa,
e a inteligibilidade do universo
aponta para o além.
Deus é, pois, para mim,
o primeiro motor sem o qual nada se moveria,
a causa primeira no condicionamento inteligível,
a razão de ser totalmente necessária,
a suprema perfeição transcendental,
o fim último de todas as coisas.
Isso o descubro pela razão,
reveladora da simplicidade,
da infinitude, da unicidade,
da imensidão e da imutabilidade
do amor.
Sim, Deus é amor em ato puro,
sem sombra de variação
e sem os condicionantes
de nossas preferências.
O Ser supremo tem de ser
o Amor supremo,
pois existe tendência, inclinação
em tudo o que é.
E se Deus é amor absoluto,
não pode ser seletivo ou favoritista
e não tem a mesquinhez que nós
frequentemente lhe atribuímos.
Ele pode agir no mundo,
mas o faz segundo critérios bem acima
dos nossos melhores valores.
Por isso, Deus é, mais que tudo, mistério insondável.
Como tal, não pode ser domesticado pelas
nossas devoções e organizações religiosas.
Transcendendo tudo em nós e fora de nós,
sua imanência nos sonda e nos revela
a nós mesmos como partícipes do mistério
e destinados à plenitude da vida.
Se Ele é Amor,
só amando o alcançaremos,
buscando o bem a cada instante.

Quem sou eu

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Sou cristão sem domicílio eclesiástico, sou herege de religião sem amor, sou ateu de deuses tiranos, sou poeta da alegria e da dor.