domingo, 30 de maio de 2010

Nova missão

Há pouco mais de um ano do abandono da batina

Sou um cosmo esvoaçado,
perdido e reencontrado
nas tramas do ser
intuído no amor
ao Bem supremo.
Perdi sonhos, matei ideais,
mas assumi defletido
a contínua e imorredoura
força da paz
emanada da verdade.
Outrora chamado
a conduzir ao céu,
agora descubro
a vocação sempre presente
de indicar às almas
o caminho da rebelde razão.
Transição sofrida escureceu
meus horizontes.
Perdi o chão, o teto,
e o sentido se escondeu
de minha miopia.
Qual Fênix inquieta,
levanto-me marcado
pelas chibatadas do tempo
em um ego acostumado
a pressentir, em palavras alheias,
consolos e esperanças.
Confrontado com o mundo,
lançado e mergulhado
nos contrastes da existência,
reapareço à plateia ansiosa
por respostas,
sem apontar o céu,
mas carregando a suave
e pungente espada do verbo,
instrumento liberto,
com seus conceitos,
juízos e argumentos.
Para além de qualquer conquista,
apenas quererei revelar,
na humildade das circunstâncias,
a beleza e as exigências da vida,
em busca de uma felicidade partilhada
e dos sonhos perdidos.
Serei tanto mais eu
quanto mais me aproximar
dos ideais ressurretos
e purgados no calor do afeto profano,
sinal de um sagrado,
de uma transcendência,
que descansará solene em meu coração,
hoje e por todo o sempre.
Amém.

Quem sou eu

Minha foto
Sou cristão sem domicílio eclesiástico, sou herege de religião sem amor, sou ateu de deuses tiranos, sou poeta da alegria e da dor.