Sobre Deus, verdade, amor, fé, vida e outras coisas nem sempre definíveis.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Unidade
O ser é uno. Unidade não significa uniformidade nem unicidade. É a inteireza e a perfeição manifestas na completude ontológica. O ser é inteiro, definido, bem diferente da idéia que Heidegger faz dele. Para o filósofo alemão, seria preciso atentar para a "diferença ontológica" entre o ser e o ente. Este seria uma presença pronta, acabada; aquele, apenas um horizonte indefinido, no qual os entes se desvelariam. O ser, diz Heidegger, é o não-ente, o nada do ente. Perguntamos, porém: se o ente não é o ser, como pode aparecer no ser como aquilo que é? Não é necessário ir além do ente para falar do ser. O ser se identifica, concretamente, com o ente, e todo ente é ser. Basta distinguir entre ser essencial e ser existencial. A essência, enquanto tal, é referida a um possível existir. A existência remete a uma presença atual e exercida do ser, a qual acontece em cada ente do universo. Trata-se de uma presença una, independentemente de ser simples ou composta. É uma unidade apreendida pelo intelecto colocado diante do real. Por um processo abstrativo, em busca da verdade, alçamos níveis cada vez mais elevados de ser, partindo das intuições do senso comum, passando pelos experimentos dos físicos e pelos cálculos dos geômetras, para atingir o ser enquanto ser, objeto próprio da metafísica, chamada filosofia primeira por Aristóteles. Nesse passo, atingimos a especulação orientada para o mistério. Afinal, embora definido e afetado de completude inteligível, o ser sempre vai além de nossas perspectivas, porquanto nos supera e desemboca na infinitude. Por isso, falar do ser é falar de sua radical unidade e de sua inegável transcendência.
Quem sou eu
- Tarcísio Bráulio Gonçalves
- Sou cristão sem domicílio eclesiástico, sou herege de religião sem amor, sou ateu de deuses tiranos, sou poeta da alegria e da dor.