domingo, 22 de novembro de 2009

Bondade

O ser é acompanhado pelo bem, na mesma medida em que anda junto com a inteligibilidade. Por isso, as coisas podem ser boas umas para as outras. Há uma irrenunciável e diversificada radicação ontológica da inclinação e da referência ao outro. Quando citamos o ser, falamos de uma abertura intencional, qualquer que seja a sua direção. Ademais, os entes se encontram interligados, de maneira ordenada, e se orientam num sentido claramente estabelecido. O próprio acaso, enquanto interferência de linhas causais independentes, supõe, em sua origem, elementos relacionados. O acaso não pode ser o primeiro na ordem do ser. Existe uma ordem, que implica uma intenção. E num mundo em que os fins remetem uns aos outros como razões de ser, devemos chegar, procedendo de fim em fim e para explicar a razão da causalidade de todos os agentes do universo, a um fim supremo, ao bem infinito. Com sabedoria, a tradição escolástica repete o adágio revelador da universal bondade do ser: "bonum et esse convertuntur". Sim, o bem e o ser são conversíveis, são duas faces de uma mesma moeda. Tudo que existe, na medida em que é, possui uma bondade intrínseca, desde uma mísera bactéria até o próprio ser subsistente, que é o bem absoluto.

Quem sou eu

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Sou cristão sem domicílio eclesiástico, sou herege de religião sem amor, sou ateu de deuses tiranos, sou poeta da alegria e da dor.