sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Verdade

O ser e a inteligibilidade são inseparáveis. Inteligibilidade implica razão de ser. Algo só é inteligível se tem uma razão de ser. Por isso, aquilo pelo que alguma coisa é completa quanto à inteligibidade equivale àquilo pelo que ela é fundada quanto ao ser, conforme nos lembra Jacques Maritain. A verdade surge no interior dessa relação entre o ser e sua inteligibilidade. Verdade significa "adaequatio rei et intellectus" (adequação da coisa e do intelecto), segundo a conhecida fórmula tomista. O intelecto apreende o real, e o real, ao ser apreendido pelo intelecto, ganha uma existência espiritual, sob a forma de espécie inteligível, puro sinal formal representativo. Porém, há como que um crescente de imaterialidade e perfeição, à medida em que nos elevamos na consideração da inteligibilidade. A verdade é uma perfeição transcendental, não categorial nem genérica. Ela é o próprio ser situado perante o intelecto. Nesse sentido, ela tende a uma realização plena, assim como as outras perfeições transcendentais. Afinal, nada neste mundo é verdadeiro pela sua própria essência, da mesma forma que nada é bom, belo ou justo por si mesmo. Se nada é verdadeiro por essência, tem de sê-lo por participação. E participação remete à causalidade de uma Verdade absoluta, na qual a adequação entre a coisa e o intelecto atinge a sua perfeição, num nível supremo de espiritualidade. Chegamos, assim, ao ponto em que percebemos o Ser dando razão de si mesmo à inteligência e sendo a causa da existência de todos os entes do universo.

Quem sou eu

Minha foto
Sou cristão sem domicílio eclesiástico, sou herege de religião sem amor, sou ateu de deuses tiranos, sou poeta da alegria e da dor.